Blog do Conselheiro Rosa e Silva, aquele que dá pitacos, corneta, comenta e torce, com muita paixão.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Visão de túnel
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Neymar é o Michael Jackson do Futebol Brasileiro?
| Imagem: Gemini.Ai |
Aproveito o "clima de copa" pra tocar num assunto que parece-me muito pertinente e curioso ao mesmo tempo: Neymar Jr, suas atitudes e as reações envolvendo sua convocação para a copa.
Estava visitando minha mãe, perto dos Esportes da Sorte Aflitos, e ouvi muitas reações nas janelas e nas ruas de alegria genuína após o anúncio do nome do camisa 10. Também foi muito bonita de ver a reação de meninos do futebol de salão do Santa e do Sport comemorando a notícia de que o ídolo iria para a Copa do Mundo. O saldo, para mim, foi de alguma satisfação em ver o nome dele na lista e em ver a alegria das pessoas.
Gostando ou não de Neymar, sejamos sinceros: ele foi o último jogador excepcional que o Brasil produziu, e nós estávamos muito mal acostumados, depois de uma sequência de Zico, Romário, Ronaldo e Ronaldinho, com grandes outros jogadores juntos ou entre estes. Sendo assim, parece-me natural o desejo de ver ele na copa: além de uma segurança, é como nós nos acostumamos a gostar de futebol e acompanhar o Brasil em campo. Somos um país muito exigente e, felizmente ou infelizmente, muito personalista.
Influenciado ou não por esse personalismo, vimos, nas últimas semanas, uma verdadeira campanha em prol da convocação do camisa 10. Seja por parte de colegas de seleção, imprensa ou de ex-jogadores, clamou-se por sua convocação e apontou-se, por muitas vezes, a necessidade de se ter um líder no vestiário.
Contudo, é necessário também fazer a pergunta incômoda: os atuais jogadores da seleção brasileira não tem "culhões" para assumir esse protagonismo? Não devíamos estar debatendo mais isso, ao invés de deixar para a mesa redonda pós eliminação?
Em meio a esses debates, gostaria de propor outro debate: influenciado pelo sucesso de "Michael" (2026) nos cinemas, a cinebiografia do "Rei do Pop", vieram-me a mente, quase que de pronto, diversas comparações entre ele e o craque da seleção brasileira. Pois vejam:
"Tantas teses, textos e pesquisas pra tentar explicar o Brasil de 2026 e nada tão sintético, preciso e perfeito quanto Neymar e sua biblia do Batman"
| "Neverland" - A terra do nunca, Rancho de Michael Jackson |
Assim como Neymar, o rei do pop foi um adulto que, pressionado desde a mais tenra idade ao sucesso, virou um adulto excepcionalmente talentoso, porém com claras chagas expostas e visíveis aos outros. A sua voz "fina", o seu jeito infantil de ser e alguns surtos estranhos junto à imprensa (como o caso da sacada do hotel com um de seus filhos) demostravam, entre outras coisas, o visível impacto de um homem cuja infância foi roubada pela cobrança pelo sucesso, vinda do pai.
terça-feira, 24 de março de 2026
Revisando os modelos: Precisamos de um contrapeso para Hélio
O modelo é novo somente no Náutico e, talvez, no Nordeste. No Grêmio, foi adotado com Renato Gaúcho nos títulos da Copa do Brasil (2016) e Libertadores (2017), alavancado pela gigantesca idolatria que a torcida tem por seu ex-jogador. Na Europa, Sir Alex Ferguson comandou com mãos de ferro o futebol do gigante Manchester United durante 27 anos, com 38 troféus. No River Plate, Marcelo Gallardo alcançou patamar similar em sua primeira passagem vitoriosa. Contudo, seu retorno em 2024 — a "Last Dance" que se encerrou no mês passado — ilustra os riscos do modelo: milhões de dólares foram gastos sem melhora expressiva, culminando em uma sequência de maus resultados e no pedido de demissão do treinador.
Lembro, aos mais atentos, o movimento semelhante de Hélio dos Anjos após a derrota em casa para o Cruzeiro (que vinha muito mal, treinado por Luxemburgo), quando também pediu sua própria demissão.
Os defensores desse modelo argumentam, com razão, que ele pode trazer um sucesso centralizado. Por outro lado, os críticos ferrenhos nos bastidores apontam, na mesma linha do ex-presidente Alexandre Homem de Melo (AHM), os perigos de se "entregar as chaves" do clube a um funcionário que, naturalmente, não possui o mesmo vínculo passional que um abnegado.
Aí está o cerne do atual debate nos Aflitos: um dirigente que entende de futebol e é um funcionário, ou um apaixonado que entende pouco (ou apenas acha que entende)?
Parece claro que colocar um amador em uma área sensível, movimentando um orçamento milionário, é uma temeridade. Para ser justo, porém, o diretor abnegado muitas vezes coordena uma equipe de profissionais de mercado e, com um organograma organizado, não toma decisões sem fundamento. Ao menos, na teoria. Na prática, se ele tem o poder da caneta, pode dobrar a aposta e contratar um jogador inapto, como no caso de Douglas Borges no início de 2025.
Ainda assim, Hélio, como "Head Manager", não pode ser blindado de críticas. É evidente que ele é um profissional muito mais capacitado do que Diógenes Braga ou AHM, mas, assim como os dirigentes cometeram diversos erros baseados em teimosias incompreensíveis no passado, Hélio tem as suas próprias idiossincrasias — e começamos a vê-las entrar em campo.
Na prática, a ausência de um contrapeso já reflete no elenco e nas quatro linhas. A possível contratação de Victor Andrade, por exemplo, é incompreensível; seria um nome ruim até para a Série C. É preciso lembrar que, no ano passado, o Náutico também trouxe a esquecível versão de Marco Antonio, que pouco ou nada agregou e teve o seu custo.
Hélio começou também a fazer mudanças extremamente abruptas no time. A entrada de Auremir foi a primeira, o esquema bizarro do jogo passado contra o Criciúma foi a segunda, e a sinalização de mudança envolvendo Yuri Silva e Igor Fernandes é a terceira. O torcedor tem o direito de questionar: essas movimentações são tão diferentes, ou menos criticáveis, do que a contratação de um Douglas Borges ou a insistência tola em "quatro zagueiros de alto nível"?
A questão central não me parece ser o modelo em si, mas a sindicabilidade do trabalho. Enquanto abnegados são regidos por apoios políticos, profissionais devem ser tratados com profissionalismo. Lembro do jornalista Mauro Cezar Pereira, na saída de Domènec Torrent do Flamengo, revelar a frustração do espanhol pela ausência de alguém do clube para debater suas opções e crescer com o diálogo.
Sinto que o Náutico padece do mesmo problema. Hélio é, certamente, o melhor treinador da nossa prateleira de mercado, mas, se entrar em uma espiral de teimosia, qualquer um será melhor do que ele comandando um time com jogadores de fundo de elenco.
A proposta aqui é simples: por que não unir os modelos, respeitando a autonomia de Hélio? Por que não colocar alguém, seja como auxiliar ou dirigente, para auxiliar o treinador? Não digo confrontar ou perturbar, digo debater. Se o presidente Bruno Becker, como a média dos dirigentes, não é um especialista tático, ele se torna refém da opinião da comissão técnica — e isso não é saudável. O ideal seria ter alguém que reportasse à presidência com o olhar do clube e, simultaneamente, dialogasse com a comissão para entender as escolhas e, quem sabe, demover o técnico de opções claramente equivocadas.
Apropriando-me de uma frase recente do Chapo, no Timbucast: hoje, o melhor treinador para assumir o Náutico chama-se Hélio dos Anjos. Ajustar a rota é, sem dúvida, o melhor caminho. Mas, se há apenas uma pessoa gerenciando o mapa e segurando o volante, não parece razoável esperar uma mudança de direção.
Para que isso funcione, sugiro perfis como Rodolpho Moreira, alguém com perfil de aprendizado, ou Joaquim Costa, com seu vasto conhecimento do Náutico e do mercado. Até mesmo um nome mais jovem para ser lapidado, como o ex-diretor da base Nelson Melo, seria de grande valia para o futuro alvirrubro.

