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| Imagem: Gemini.Ai |
Aproveito o "clima de copa" pra tocar num assunto que parece-me muito pertinente e curioso ao mesmo tempo: Neymar Jr, suas atitudes e as reações envolvendo sua convocação para a copa.
Estava visitando minha mãe, perto dos Esportes da Sorte Aflitos, e ouvi muitas reações nas janelas e nas ruas de alegria genuína após o anúncio do nome do camisa 10. Também foi muito bonita de ver a reação de meninos do futebol de salão do Santa e do Sport comemorando a notícia de que o ídolo iria para a Copa do Mundo. O saldo, para mim, foi de alguma satisfação em ver o nome dele na lista e em ver a alegria das pessoas.
Gostando ou não de Neymar, sejamos sinceros: ele foi o último jogador excepcional que o Brasil produziu, e nós estávamos muito mal acostumados, depois de uma sequência de Zico, Romário, Ronaldo e Ronaldinho, com grandes outros jogadores juntos ou entre estes. Sendo assim, parece-me natural o desejo de ver ele na copa: além de uma segurança, é como nós nos acostumamos a gostar de futebol e acompanhar o Brasil em campo. Somos um país muito exigente e, felizmente ou infelizmente, muito personalista.
Influenciado ou não por esse personalismo, vimos, nas últimas semanas, uma verdadeira campanha em prol da convocação do camisa 10. Seja por parte de colegas de seleção, imprensa ou de ex-jogadores, clamou-se por sua convocação e apontou-se, por muitas vezes, a necessidade de se ter um líder no vestiário.
Contudo, é necessário também fazer a pergunta incômoda: os atuais jogadores da seleção brasileira não tem "culhões" para assumir esse protagonismo? Não devíamos estar debatendo mais isso, ao invés de deixar para a mesa redonda pós eliminação?
Em meio a esses debates, gostaria de propor outro debate: influenciado pelo sucesso de "Michael" (2026) nos cinemas, a cinebiografia do "Rei do Pop", vieram-me a mente, quase que de pronto, diversas comparações entre ele e o craque da seleção brasileira. Pois vejam:
- Infância sonegada
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| Story de Neymar, onde mostra sua "Bíblia do Batman" - Instagram |
"Tantas teses, textos e pesquisas pra tentar explicar o Brasil de 2026 e nada tão sintético, preciso e perfeito quanto Neymar e sua biblia do Batman"
A frase do grande Andrey Raychtock, ao retweetar essa imagem, além de uma ironia muito afiada e reveladora, também, para mim, despertou o olhar para a infantilidade da coisa. Neymar é um homem feito, pai de 2 (ou 3?) crianças. Faz o que quer, chegando até a "importar" mulheres do Brasil para uma noite em Paris, coisa que nem mesmo os grandes reis do passado conseguiam fazer. Nessa passagem, inclusive, foi acusado (caluniosamente) de estupro, o que gerou outra similitude como o rei do pop. Soa inacreditável que ele tenha uma "Bíblia do Batman".
Pouco me importa as condutas éticas de um craque. Desde que não cometa crimes (exceto os fiscais kkk), me importo somente com os gols que ele faz e com a simpatia e o carinho que ele deve retribuir com a torcida. Contudo, o que salta aos olhos nas atitudes de Neymar, a meu ver, é uma total imaturidade pra lidar consigo mesmo. Seja um excesso de festas quando deveria estar recuperando suas lesões, seja o mínimo de trato ao lidar com a torcida e seus colegas, o saldo que extraio da carreira do craque é ver que ele, de fato, se comportou como um menino mimado ao longo de toda sua carreira. Destaco a saída para o PSG, num ato, até hoje, inexplicável do ponto de vista desportivo, bem como, no clube, o episódio em que ele se recusou a dar a bola para Cavani bater um pênalti em que celebraria a quebra de um recorde no clube.
Numa geração de excessos, Neymar parece que quer aproveitar bem todos eles, e, talvez, valer-se de seu talento para poder ter, ao mesmo tempo, uma vida de curtição e uma vida de craque. O problema é que, com 33 anos, a idade inevitavelmente chegou, e, com as graves lesões que ele teve, ele terá que tomar uma decisão: quero ser atleta ou "não preciso provar nada à ninguém".
E sobre esses excessos, muitas notícias saíram, ao longo dos anos, que mostram o quanto Neymar gosta das coisas "extracampo". Seja de diversas mulheres com que ele se relacionou (o que, convenhamos, não é exclusividade dele), seja de noites mal dormidas jogando Counter Strike ou Poker, ou até mesmo as viagens ao Carnaval, que sempre pegaram mal nos clubes dele. O peso que Neymar dá a essas coisas, ao meu ver, frívolas da vida, me acendem um alerta de um home que, por meio de suas extravagâncias, expõe um vazio.
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| "Neverland" - A terra do nunca, Rancho de Michael Jackson |
Assim como Neymar, o rei do pop foi um adulto que, pressionado desde a mais tenra idade ao sucesso, virou um adulto excepcionalmente talentoso, porém com claras chagas expostas e visíveis aos outros. A sua voz "fina", o seu jeito infantil de ser e alguns surtos estranhos junto à imprensa (como o caso da sacada do hotel com um de seus filhos) demostravam, entre outras coisas, o visível impacto de um homem cuja infância foi roubada pela cobrança pelo sucesso, vinda do pai.
É impossível não fazer a ligação com o "Menino Ney". Tem-se, em reportagem do Uol, informação de que o Neymar Pai é mais rico que o filho. Claramente, vê-se que o pai e a família sabem ganhar muito dinheiro com a imagem e o talento do craque. Porém, diante da atual situação do craque, e até mesmo na ida ao PSG, o sentimento de muitos, ao ver as movimentações e decisões de carreira de Neymar foi de total incompreensão, Por que ele decidiu sair do Barcelona? Por dinheiro? Por que ele, ao ser convocado pra copa, decidiu publicar, em sequência, 4 publicidades? Por que, após a derrota em 2018 na copa, ele decidiu dar seu primeiro pronunciamento oficial numa propaganda? Ele realmente faz tudo por dinheiro?
Parece-me claramente que Neymar é um produto milimetricamente pensado por alguém ou por uma agência, e, o único nome possível é o de seu pai. Como ele poderia ficar mais rico que o filho, se não por uma sagacidade extrema em explorar (no bom sentido) a imagem do filho? Seu talento para os negócios é ímpar, contudo, Neymar Jr deve ser gerido por uma mentalidade de empresário ou de atleta? Neymar Jr consegue separar os conselhos do seu pai dos conselhos do "CEO" da empresa Neymar? Apontou-se, durante a ida ao PSG, que seu pai foi importante na tomada de decisão, e que a mudança no estilo de jogo (ir mais ao meio, saindo da ponta) foi também influencia sua. Se foi, foi um dos piores conselhos a que ele deu ouvidos na vida. Ao invés de ouvir seus treinadores, ele deu ouvidos ao seu pai, que, com todo respeito, "jogou onde"?
Nesse cenário, acredito que meu ponto tenha ficado claro: dois jovens talentosos que, desde a tenra infância, tem em si projetadas uma expectativa de sucesso, idolatria e de esteio familiar absurda. São crianças que foram moldadas à perfeição e, ao alcançar esses patamares, demonstram claramente sinais de uma fadiga e estresse causada pelo óbvio preço pago para se alcançar tamanho nível de excelência profissional. Para mim, as semelhanças entre Michael e Neymar são muito claras, o que me deixa muito triste pelo craque, uma vez que a vida pessoal do Rei do Pop foi inversamente proporcional à alegria e ao sucesso que teve na sua vida pessoal.
Espero que, ao fim, Neymar Jr consiga ter um último ato digno, que Michael não conseguiu ter, muito devido a um estresse latente e paralisante, que lhe levou a tomar os remédios calmantes que eventualmente causaram a intercorrência médica que lhe levou a óbito. Caso as especulações que foram feitas ao longo desses anos pela imprensa se confirmem, de que Neymar Pai realmente tem tamanha influencia no filho e, de alguma forma, o explora, é de se lamentar que ele não tenha conseguido dar a autonomia necessária ao filho para se tornar o que ele poderia se tornar no campo.
Talvez, se Michael não estivesse tão pressionado financeiramente antes do shows, ele não tivesse morrido. Espero que Neymar Jr encontre a paz que precisa para curtir a vida que ele merece ter, seja com ou sem o título da Copa do Mundo, uma vez que a família já acumulou mais dinheiro do que ele precisará para ter uma vida para lá de confortável...
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